11/09/2013 às 16:50 - Atualizado em 18/02/2016 às 21:05

Renda dos trabalhadores cai pela 5ª vez consecutiva

Renda

Com a inflação em patamar elevado, a renda média dos trabalhadores teve a quinta queda consecutiva em julho, informou ontem o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O rendimento em julho ficou em R$ 1.848,40, 0,9% abaixo do registrado em junho. “Há uma influência da inflação e da perda no poder de compra [dos trabalhadores] por outros motivos, como correções [menores] e reduções de salários”, afirma Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento do IBGE.

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial da inflação, acumula alta de 6,27%, nos 12 meses encerrados em julho, próximo do teto da meta do governo (6,5%). Já no confronto entre julho e o mesmo mês de 2012 houve elevação de 1,5%. Apesar de haver crescimento nesse caso, ainda assim o resultado foi considerado modesto por analistas. “Este evidente enfraquecimento dos ganhos reais vem sendo observado desde dezembro de 2012”, afirmaram em relatórios os especialistas da consultoria LCA.

Sinal de moderação

Além de um rendimento menor, outra demonstração da perda de força do mercado de trabalho foi a mudança na taxa de desemprego na comparação anual. Pela segunda vez consecutiva, a taxa ficou menor nesse tipo de confronto: em junho de 2013 foi de 5,6%, enquanto no mesmo mês de 2012 estava em 5,4%. Estatisticamente, o IBGE considera que, apesar da queda numérica, o resultado é estável.

Para a LCA, é “mais um sinal de moderação no mercado de trabalho”. O aumento ante o mesmo mês do ano anterior ocorreu em maio pela primeira vez desde outubro de 2009, interrompendo uma sequência de quase quatro anos de redução contínua do desemprego.

Caged

Já na passagem de junho para julho, a taxa de desemprego caiu de 6% para 5,6%. A queda foi puxada, especialmente, pelo resultado de São Paulo – a taxa passou de 6,6% para 5,8%. Nessa região metropolitana, a população desocupada caiu 12,2% entre junho e julho. Essa queda da taxa, na comparação mensal, mostra um descolamento entre a pesquisa do IBGE e a do Ministério do Trabalho. O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mede quantos trabalhadores assalariados foram admitidos e quantos foram desligados, sendo que o saldo é o resultado de admissões menos demissões.

Ontem, o Ministério divulgou que pela primeira vez desde 2003, o mês de julho registrou fechamento de vagas com carteira assinada nas regiões metropolitanas. O saldo ficou negativo em 11.058 postos nas nove regiões metropolitanas avaliadas. Sobre as diferenças no resultado, o coordenador afirmou que “teoricamente as pesquisas tendem a se aproximar”, mas isso não ocorre em todos os meses, porque há diferenças nas metodologias e nas regiões pesquisadas.

Dieese

A alta da inflação, nos primeiros seis meses, do ano limitou os reajustes salariais acima da inflação nesse período. Segundo dados coletados pelo sistema de acompanhamento de salário do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 84,5% das negociações salariais, no primeiro semestre, tiveram aumentos reais abaixo dos 96,3% do mesmo período de 2013.

Em 2012, 8,3% das negociações analisadas pelo Dieese tiveram aumento real, contra apenas 0,6% neste ano. Segundo o Dieese, houve uma expressiva redução no número de reajustes situados na faixa de ganho real acima de 4% e no aumento dos reajustes na faixa de menor ganho real de até 1%.

“Tanto o aumento da incidência de reajuste abaixo da inflação quanto a redução dos percentuais de ganho real estão relacionados à elevação dos índices necessários para reposição da inflação no primeiro semestre, na comparação com anos anteriores”, diz em nota o Dieese.

 

Fonte: Jornal O Estado CE

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